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Relatório da OCDE “The Ocean Economy to 2050” – O Futuro da Economia Azul: Crescimento Sustentável e Resiliência

A Economia do Oceano é um motor essencial para o crescimento global, cria empregos, impulsiona o desenvolvimento e garante a segurança alimentar para milhões de pessoas.  

Se a economia do Oceano fosse um país, seria a quinta maior economia do Mundo.No entanto, as alterações climáticas, a degradação dos ecossistemas marinhos, a baixa produtividade das indústrias marítimas e a lenta digitalização intensificam as pressões no crescimento da Economia Azul Sustentável.O relatório da OCDE “The Ocean Economy to 2050” apresenta-nos dados essenciais para apoio às políticas públicas no âmbito da promoção de um Oceano sustentável e resiliente.A transição para energias limpas, o combate a práticas ilícitas e o uso de tecnologias digitais são ferramentas fundamentais para proteger os ecossistemas marinhos, garantir a prosperidade das futuras gerações e a saúde do Oceano.


A economia do Oceano é importante para a economia Mundial.

O oceano cobre 71% da superfície da Terra, compreende 90% da biosfera, proporciona segurança alimentar a mais de três mil milhões de pessoas, permite o transporte de mais de 80% dos bens essenciais e abriga cabos marítimos que transportam 98% do tráfego internacional da Internet. As novas estatísticas e análises da OCDE revelam o papel vital que o oceano desempenha nas economias e nos meios de subsistência de centenas de milhões de pessoas.


Se fosse considerada um país, a economia do Oceano, seria a quinta maior economia do Mundo em 2019

Entre 1995 e 2020, contribuiu com 3 % a 4 % do valor acrescentado bruto mundial (VAB) e empregou até 133 milhões de trabalhadores a tempo inteiro.

 

A economia oceânica mundial duplicou em termos reais em 25 anos, passando de 1,3 biliões de dólares de VAB em 1995 para 2,6 biliões de dólares em 2020, crescendo a uma taxa média anual de 2,8%. Os níveis de emprego mantiveram-se relativamente constantes, atingindo um pico de 151 milhões de trabalhadores a tempo inteiro em 2006, caindo para 101 milhões em 2020 devido à COVID-19, com recuperação desde esta data.

 

Mais de 75% do crescimento económico mundial do Oceano entre 1995 e 2020 teve origem na Ásia e no Pacífico. Só a Ásia Oriental foi responsável por 56% da expansão da economia oceânica mundial, enquanto a Europa e a América do Norte registaram um crescimento mais lento. A República Popular da China, os Estados Unidos da América, o Japão, a Noruega e o Reino Unido atingiram as maiores economias oceânicas em média, durante este período. No entanto, países como a Noruega registaram a maior percentagem de economia oceânica em relação ao total da economia, demonstrando as disparidades regionais na dependência da economia do Oceano.

 

O turismo náutico e costeiro e a extração de petróleo e gás offshore geraram cerca de dois terços do valor acrescentado bruto total. No entanto, a distribuição da mão de obra variou muito. O turismo náutico e costeiro foi o maior empregador, enquanto a extração de petróleo e gás no mar gerou uma produção económica elevada, mas em relação ao emprego a taxa foi relativamente baixa. A produção da construção naval e da energia eólica offshore também se expandiu rapidamente, embora a empregabilidade seja também ela, baixa em comparação com outros setores da economia azul.

 

Grandes disrupções irão remodelar a economia do Oceano nas próximas décadas.

Se as tendências históricas se mantiverem, a economia global do Oceano poderá ser quase quatro vezes maior em 2050 do que em 1995. No entanto, vários constrangimentos poderão abrandar ou mesmo inverter o crescimento até 2050 se não forem tomadas medidas políticas.

 

Forças externas globais terão impacto na saúde do Oceano e na Economia Azul.

Fatores como o crescimento demográfico, as alterações climáticas e pressões ambientais, o comércio e a globalização, a transição energética, os avanços tecnológicos e a dinâmica geopolítica - juntamente com as suas interações - moldarão a saúde do Oceano e a futura trajetória de crescimento da economia do Oceano. As projeções qualitativas e quantitativas destacam o clima, as transições energéticas e os avanços na ciência, na tecnologia e na inovação como principais motores.

O declínio da produtividade e as lacunas na digitalização também influenciarão o potencial futuro da economia azul. Embora algumas atividades económicas relacionadas com o Oceano tenham ultrapassado o crescimento médio da indústria entre 1995 e 2020, a produtividade diminuiu em mais de metade das atividades económicas analisadas.

O contributo dos serviços de capitais para o crescimento da economia azul concentrou-se em ativos não ligados às tecnologias de informação e comunicação. Isso revela que as atividades económicas do oceano não estão a aproveitar ao máximo os motores de produtividade, essenciais para um futuro cada vez mais automatizado.

 

Os diferentes caminhos para uma transição energética global afetarão o crescimento económico do oceano nas suas múltiplas formas.

Com a transição acelerada para a energia de baixo carbono, a economia azul continuará a crescer até 2050, atingindo cerca de 2,5 vezes o tamanho de 1995. O turismo náutico e costeiro será o principal motor desse crescimento, enquanto a participação do petróleo e do gás offshore no VAB total da economia do Oceano tenderá a diminuir.

A estagnação da transição poderá levar a um declínio da economia azul global em relação a 2020, devido à falta de investimento na produtividade e ao agravamento dos impactos nefastos das alterações climáticas em várias áreas do setor marítimo.

 

Quatro prioridades estratégicas que podem ajudar a alcançar uma economia azul mais produtiva e ambientalmente mais sustentável

Para construir uma futura economia azul mais produtiva, dinâmica e ambientalmente mais sustentável, os decisores políticos devem fortalecer a governação do Oceano, promover a inovação tecnológica, melhorar a recolha de dados e integrar os países em desenvolvimento nas cadeias de valor globais.

 

  • O reforço da governação do Oceano e dos quadros regulamentares podem ser concretizados através da utilização de instrumentos de gestão do Oceano baseados na ciência e que equilibrem as prioridades económicas e ambientais, como o ordenamento do espaço marítimo e as zonas marinhas protegidas.

Com a expansão das reivindicações territoriais nacionais para cerca de 39% do Oceano, as posições nacionais sobre questões relacionadas com o Oceano podem ser reforçadas por uma cooperação internacional através de acordos como o Acordo sobre Subsídios à Pesca da OMC e o Acordo do Alto Mar (BBNJ - Biodiversity Beyond National Jurisdiction). Ambos são marcos importantes para a proteção dos oceanos e a sustentabilidade da economia azul que ajudarão a colmatar lacunas regulamentares e a alinhar os incentivos económicos com os objetivos de sustentabilidade.

 

  • Promover a inovação tecnológica e a transformação digital. Os governos deverão incentivar o investimento público e privado em soluções baseadas nas TIC, na automatização e na robótica para aumentar a produtividade e a competitividade e reduzir as externalidades ambientais. Tal implicaria o reforço de programas de formação dos trabalhadores para melhorar as competências das principais indústrias, preparando-os para uma economia mais digitalizada e apoiando os clusters de inovação da economia Azul para promover a colaboração e os avanços interprofissionais e intersectoriais.

 

  • Melhorar a recolha de dados da Observação do Oceano e a Investigação Científica. A expansão do conhecimento sobre o Oceano é fundamental para a ciência, a conservação da biodiversidade e a economia Azul. Com apenas 25% dos fundos marinhos cartografados, as redes de exploração sustentável, monitorização e observação do oceano devem expandir-se utilizando novas tecnologias digitais. Estes esforços devem apoiar a tomada de decisão e a gestão dos recursos com base científica. Para apoiar estes desenvolvimentos, serão essenciais melhores políticas públicas e privadas de acessibilidade aos dados sobre o Oceano.

 

  • Alargar a participação dos países em desenvolvimento na economia do Oceano, salvaguardando simultaneamente os danos nefastos ambientais. Com a evolução demográfica e a disponibilidade de recursos naturais, os países em desenvolvimento podem beneficiar de uma maior participação na economia azul. Para tal, são necessárias estratégias oceânicas integradas que tenham como principal objetivo a conservação da biodiversidade e a utilização sustentável do meio marinho. Devem ser encorajadas políticas como a gestão sustentável das pescas e incentivos ao turismo náutico e costeiro ecológico. Além disso, a promoção de novas parcerias internacionais facilitará a partilha de conhecimentos nos dois sentidos, reforçando simultaneamente o apoio financeiro e as transferências de tecnologia.



OCDE - The Ocean Economy to 2050 Report
OCDE - The Ocean Economy to 2050 Report

 

*Fonte: Sumário executivo do relatório  “The Ocean Economy to 2050”, publicado pela OCDE, 31/03/2025

 

 
 
 

2 comentários


Lorde Laura
Lorde Laura
19 de ago.

The Geometry Dash game’s music-driven levels enhance its appeal, as each jump, spike, and obstacle feels synced to the beat, giving players a sense of flow and immersion during every attempt.

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Pinky Sella
Pinky Sella
19 de ago.

Melon Playground is a game that’s as relaxing as it is entertaining. Whether you’re into creative builds, wacky experiments, or just seeing what happens when you throw random objects together, this sandbox delivers endless fun.

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